| A longa distância |
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| 30-Set-2008 | |||
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Em reportagem no Jornal de Santa Catarina, grupo de amigos veteranos no uso das bikes, relatam a dificuldade de usar este importante meio de transporte devido à falta de infra-estrutura adequada em Blumenau.
Almoço de Domingo
A longa distância
A campanha que convidou os blumenauenses a deixarem seus automóveis na garagem no dia 22 de setembro - chamada Dia Sem Carro - foi o tema dominante na seção de cartas do Santa neste mês. Regra geral, as mensagens combinaram apoio maciço à proposta com o devido reconhecimento às dificuldades de se colocar em prática a iniciativa. Também não faltaram observações de leitores que apontaram o caráter supostamente utópico ou demagógico da idéia. Para debater o quanto é longa a distância entre uma boa idéia e os obstáculos à sua concretização foi convidado um grupo de amigos que tem em comum a paixão pelo ciclismo.
Viver sem carro em Blumenau é tarefa quase impossível para quem está acostumado com a comodidade que ele proporciona. Mesmo quem busca meios alternativos de se deslocar pela cidade esbarra em obstáculos que tornam a opção de deixar o veículo na garagem uma aventura. A falta de calçadas bem estruturadas, a inexistência de ciclovias contínuas e de estacionamentos seguros para bicicletas, aliadas ao transporte coletivo deficiente, são problemas que põem em xeque propostas como a do Dia Sem Carro, colocado em prática no dia 22 de setembro.
O encontro foi na casa do analista de vendas Fábio Roberto Fischer, 30 anos, na Rua Guarani, no Distrito do Garcia. O fato de os 10 amigos integrarem uma espécie de clube de ciclismo talvez explique a homogeneidade das opiniões. Sentado à mesa da área de festas do anfitrião, o comerciante Marcos Ricardo Hüskes, 31, puxou o coro: - O principal problema é a falta de ciclovias interligadas. Você está pedalando e, de repente, ela acaba e você se vê em meio ao trânsito de carros. Para o comerciante Fábio Urban, o fator clima também deve ser levado em conta na hora de se trocar o automóvel por outra opção de transporte. Ele considera desconfortável, por exemplo, pedalar até o trabalho no verão: - Andar de bicicleta faz bem à saúde, ao meio ambiente e é econômico. Mas é claro que no verão de Blumenau você vai suar muito. Também é ruim para profissionais que têm de trabalhar mais arrumados. A namorada de Urban, a estilista Susana Talita Fuhrmann, 30 anos, diz se enquadrar nesse exemplo. Foi uma entusiasta do Dia Sem Carro, mas em 22 de setembro não dispensou o veículo para ir à empresa. A professora de academia Caroline Boppre de Barba, 27 anos, também usou o carro no dia da campanha. - Mas dei carona - defende-se. Para o grupo, também faltam estacionamentos para bicicletas, calçadas para os pedestres não caminharem pela ciclovia e educação dos motoristas. - Tem motorista que estaciona na ciclovia - conta a bancária Nicole Krieck Hüskes. Usuária de ônibus, Nicole acredita que o transporte coletivo poderia ser uma alternativa, desde que houvesse investimento em mais horários para evitar a superlotação. Ela teve apoio da funcionária pública Paula Cristinne Schenkel Fornari Nunes, 40 anos, que pede mais vermelhinhos nas ruas.
Há um ano e meio, o marido de Paula, Luiz Fernando Nunes, 44 anos, trocou o carro pelas pernas para ir ao trabalho. Caminha da casa na Ponta Aguda até o comércio que administra, na Rua XV de Novembro. Leva menos tempo do que se fosse de carro, garante. Considera-se quase exceção entre os conhecidos da mesma faixa etária.
- No Dia Sem Carro, muitos que estiveram no meu comércio disseram que o evento era uma bobagem. A juventude é mais aberta a esse apelo - observou Nunes.
Para o grupo, o Dia Sem Carro serviu para mostrar que existem outras formas mais saudáveis e menos poluentes de transporte. Sugerem que a campanha ocorra uma vez por mês, para intensificar a conscientização. ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email )
À mesa, um bate-papo sobre as aventuras em duas rodas Para participar do Almoço de Domingo do Santa, os 10 amigos abriram uma exceção. Trocaram os encontros sobre duas rodas por uma mesa farta de churrasco. O cardápio incluía salada verde, de maionese, tomates, conservas, pãozinho ao alho e óleo e uma travessa de batata gratinada de acompanhamento. Esta última foi preparada pelo comerciante Marcos Hüskes na noite anterior. - Hoje foi só colocar no forno para dourar - deu a dica. O churrasco ficou por conta do vendedor Jean Carlos de Souza, 37 anos. Durante praticamente todos os 90 minutos de conversa com o grupo, Jean ficou em volta da churrasqueira. E como todo bom assador, sentou-se à mesa para comer quando a maioria já estava no final do almoço. A palavra bicicleta foi soberana, mesmo depois do final do debate sobre o Dia Sem Carro. Apaixonados por ciclismo, contam com entusiasmo as aventuras em duas rodas do grupo pelas cidades da região e Litoral. A próxima será até Doutor Pedrinho. Os 10 amigos fazem parte do Bike Sem Limites, um grupo composto por outros 38 integrantes. Paula e o marido Luiz, sentados lado a lado na mesa, são os fundadores. - Começou com uma atividade de lazer, em 2003. Depois se juntaram mais dois, três casais. Quando vimos tínhamos agregado quase 50 pessoas - conta Paula. Para o grupo de ciclistas, não tem tempo ruim. Apesar das pancadas de chuva que fizeram do sábado um dia propício para ficar em casa, alguns deles demonstraram o desejo de pedalar depois do almoço. |
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| Atualizado em ( 30-Set-2008 ) | |||
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