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Artigo: Carros demais PDF Imprimir E-mail
12-Set-2008
Confira artigo de Gomes que alerta sobre o problema de utilizarmos o carro para tudo, sem alternativas para uma mobilidade sustentável nas nossas cidades.

Carros demais

CESAR OTACÍLIO GOMES/ Artista plástico

As cidades estão apinhadas de carros. Tem-se impressão que a prioridade das pessoas é possuir um automóvel. E, se possível, vários. Não tanto pela utilidade, mas pelo símbolo, faz-se tudo para tê-los. Comumente, salários são comprometidos por anos com carnês de financiamentos.

Por conta das despesas com o carro, muita gente não se permite muitos programas de lazer, nem investimentos em obras de arte, ou ainda formar uma biblioteca em casa, ter um hobby construtivo, viajar, ir periodicamente a teatro, shows e apresentações etc. Isto poderia ser benéfico para o cidadão comum, que gasta quase tudo que ganha com seu carro. E, por outro lado, neurônios oxigenados tendem a naturalmente abominar fanatismos, influências publicitárias, apelos bancários e conversa mole de vendedores de carros. As avalanches de carros nas ruas e os engarrafamentos quilométricos em alguns lugares já estão passando da categoria preocupante para caótica

E, no calor do verão, só tendo muito humor para encarar a situação, que poderá piorar ainda mais no futuro. Ou virar piada para relaxar motoristas parados. Sabe da última? Aquela do homem que comprou um carrão - veloz e luxuoso - , pelo qual pagou uma nota preta? Estava feliz, mas agora anda desanimado, cabisbaixo, fulo da vida, pois com o poderoso carro de 500 cavalos só consegue acelerar na velocidade de uma tartaruga...

Com tantos engarrafamentos, este é o momento certo para reciclar, utilizar mais o transporte público, usar ciclovias, andar a pé distâncias curtas. São atitudes que ajudarão a diminuir a quantidades de carros nas ruas.

Alertas como "um dia sem carro" ou "rodízios de veículos" só trarão resultados quando houver a conscientização de todos. A começar pelas autoridades, com campanhas educativas, novas avenidas, planejamento urbano. E, principalmente, para o bem de todos, lutar pela cura da doença que acomete 99% dos cidadãos que aumentam seu poder aquisitivo, a famosa febre para comprar carros novinhos em folha, para si, esposa, filhos etc.

Neste ritmo, logo os congestionamentos invadirão nossas salas de jantar, algo que não está longe de acontecer, está a frente é só dobrar próxima esquina, digo, próxima porta.

 

Fonte: Jornal de Santa Catarina - 12 de setembro de 2008

Atualizado em ( 06-Out-2008 )
 
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